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Artigo: Como seria o Brasil sem corrupção?

Sempre soubemos que a corrupção, lamentavelmente, faz parte da vida brasileira, desde os tempos de colônia, passando pelo Império, a Primeira República, o Regime Militar, e nossa jovem Democracia. Mais que isso: é um fenômeno mundial, incomodando até mesmo povos com os melhores costumes e reconhecida tradição ética.
Mas não se trata de simplesmente constatar o fato: é assim, não há o que fazer! Nosso espírito hoje é outro, como revelam as mobilizações populares, manifestações, protestos e os resultados das últimas eleições com altos índices de abstenções, votos brancos e nulos: não aceitamos mais conviver com essas coisas como se elas fizessem parte da nossa essência e nossa cultura.
Queremos um corte radical em relação a tudo isso, uma linha demarcando o tempo.
A história avança e nós também estamos alterando nossa percepção e postura. Quem continuar afirmando que somos um povo que aceita tudo bovinamente, sem questionar, está enganado. Não há mais tese capaz de provar tal afirmação. O espírito nacional é cada vez mais de intolerância a malfeitos.
As constantes revelações sobre corrupção, nos últimos tempos, no país, permitem concluir que, em vez de uma democracia, estamos mais inclinados a uma propinocracia -sistema movido a propina; utilizado por espertalhões para definir, desde quem deve vencer uma licitação pública, como o perfil de uma legislação importante, atendendo os interesses escusos de grupos econômicos e políticos.
Já o mensalão foi um escândalo de proporções catastróficas, indicando que a moralidade, na esfera do poder central, descera ao nível do chão. Ao colocar à mostra as entranhas sujas de duas das nossas megaempresas – Petrobrás e Odebrecht -, a tendência é confirmada pela Lava Jato.  Ambas são (maus) exemplos de como andam as relações entre o poder público e o setor privado, marcadas por operações não contabilizadas, negociatas e traficâncias de toda ordem.
As delações da Odebrecht terminam por escancarar as portas do inferno, deixando a impressão de que o céu não existe. Não há quem não esteja espantado com o número e o peso das personalidades citadas pelo ministro Edson Fachin, relator da operação no Supremo Tribunal Federal. Foram abertos inquéritos de investigação contra 108 altas autoridades, entre elas, os cinco ex-presidentes vivos – José Sarney, Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Roussef -, os presidentes do Senado e da Câmara, nove ministros, três governadores, 29 senadores, 42 deputados federais. Citação não é prova de crime, mas…
Agora é mais fácil entender porque estamos vivendo um dos piores momentos da nossa história – não apenas por causa da crise moral. Nossa economia não cresce há anos e nesse ano, se crescer, será um índice meramente simbólico. É preocupante o número de empresas em dificuldade e ainda não há sinais consistentes de reaquecimento das atividades. Agravando o quadro social, o desemprego afeta cerca de 13 milhões de brasileiros. As contas públicas, em todas as esferas, estão em estado de calamidade, com déficits que limitam obras até mesmo em áreas emergenciais.
Só nos resta imaginar como seria o Brasil sem corrupção; se, em vez de uma propinocracia, nossos representantes estivessem trabalhando por uma real democracia, com amplos investimentos em educação, saúde, segurança, infraestrutura, desenvolvimento econômico e social.
Mas não vamos desistir do nosso sonho: no ano que vem haverá eleições novamente – esperamos que as campanhas eleitorais não sejam financiadas por corruptores, não tenham caixa dois, e os eleitos pertençam a uma nova geração de líderes.

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Fonte: Sicontiba